Estudo revela maus hábitos alimentares de executivos.
Com 62 anos, o advogado Fernando Albino pratica esportes pelo menos cinco vezes por semana. Sócio-titular da Albino Advogados Associados, das 6 às 8 horas ele se dedica a alguma atividade física. Albino, porém, é exceção em um universo no qual os cuidados com a saúde não são a regra. Segundo estudo realizado pela Omint, hábitos não-saudáveis são os maiores vilões da saúde dos executivos brasileiros.
Participaram do estudo 8,7 mil profissionais, de nível de alta gerência ou superior. Segundo o levantamento, desse contingente, 96,04% não conseguem manter uma alimentação equilibrada, 43,18% são sedentários, 31,94% apresentam níveis elevados de estresse e 13,15% são fumantes. "Esses quatro hábitos, mais a predisposição genérica, estão relacionados a quase todas as doenças crônicas", explica o coordenador do estudo e gerente médico da Omint, Caio Soares. Ele destaca que uma pessoa que reúna todos esses fatores tem 80 vezes mais chances adquirir uma enfermidade grave. "Ainda predomina no mundo corporativo uma convenção segundo a qual a preocupação com a qualidade de vida se opõe à produtividade, o que não é verdade. Quem não tem hábitos de vida saudáveis pode encurtar sua vida profissional e se transformar em um custo elevado na folha de pagamento", explica.
O levantamento da Omint concluiu que 10,39% dos executivos possuem risco cardiovascular aumentado, ou seja, apresentam pelo menos dois dos seguintes fatores de risco: hipertensão arterial, hipercolesterolemia, tabagismo e antecedente familiar de doença coronária. "As doenças cardiovasculares foram a maior causa de mortes no ano passado. Elas matam mais do que acidentes. O curioso é que a simples eliminação de manteiga e margarina da alimentação chega a diminuir em até 50% possibilidade de ter uma doença dessa", orienta Soares.
Homem-bomba
Na opinião de Soares, "um executivo que dorme pouco, não tem lazer, come muita manteiga e fuma é uma bomba". Segundo ele, empregar uma pessoa com esse perfil não é interessante para nenhuma empresa - e isso não tem relação com o custo com planos de saúde. "Um infarto é fatal, não haverá custos. Mas os investimentos que estão sendo feito nesse profissional valerão a pena? Notamos que as empresas têm se preocupado cada vez mais em manter seus executivos mais saudáveis", garante.
Albino conta que sempre praticou esportes. Já jogou muito futebol e tênis, mas hoje se dedica à corrida e à musculação, prática que começou em 2001, após um acidente enquanto esquiava, o que acabou lesionando um de seus joelhos. Para se recuperar, o advogado passou a fazer fisioterapia e exercícios que fortalecessem a região machucada. Quem ouve essa história tem a impressão que saúde sempre foi uma regra na vida do advogado. Mas não é o caso. Albino fumou entre os 16 e os 33 anos. Só largou o tabaco quando percebeu que o vício o estava prejudicando, causando dores de garganta.
Um dos fatores presentes na vida corporativa prejudicial à saúde é o estresse. Albino conta que possui um ritmo de trabalho intenso, de dez a 12 horas por dia, de segunda a sexta-feira. "Quando você pratica esportes, tira isso de letra. Mesmo quando estou cansado não deixo de praticar atividades físicas. Faço algo mais leve, mas faço, pois é isso que me mantém bem e em forma", diz. Ciente da importância do esporte e da prevenção de doenças, o advogado incentiva seus colaboradores a adotarem hábitos saudáveis. "Nosso escritório fornece apoio para quem quer frequentar uma academia. Também temos uma nutricionista, além de instrutores de tênis e de corrida. Estimulo ao máximo essas práticas, porque o advogado tende a ser muito sedentário", afirma.
Eles e elas
O estudo da Omint também aponta diferenças significativas na incidência de doenças entre homens e mulheres, no que se refere às 13 enfermidades mais comuns entre executivos. Segundo Soares, isso se dá por questões estritamente orgânicas. "O corpo de homens e mulheres reage de formas distintas a fatores externos como estresse e hábitos de vida não-saudáveis", explica. "Dores de cabeça acometem mais as mulheres. A obesidade, os homens", destaca Soares.
Exames periódicos
Um fato curioso é que a maioria dos portadores de doenças crônicas desconhece que tem a enfermidade. Segundo o estudo, 48% dos portadores de colesterol alto, 32% dos que têm tinha diabetes e 26% daqueles com problema. entre os portadores de diabetes não sabiam de seus problemas. Segundo Soares, é importante consultar periodicamente um médico de confiança. "O check-up virou um remédio, mas ele não precisa ser anual. O principal fator de controle é visitar o médico, mesmo que seja para bater um papo. Isso deve ocorrer anualmente a partir dos 30 anos", orienta.
fonte: Gazeta Mercantil/Caderno D - Pág. 7 João Paulo Freitas
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