Aparência, uma prioridade absoluta!
Muitas pessoas sentem-se perdidas hoje em dia, pela pressão social muito forte em seguir um modelo considerado certo, que é “ser magro”.
A aparência é tida como uma prioridade absoluta. As pessoas têm necessidade de brilhar, de parecerem “espertas”. E “brilha” quem é jovem e magro.
É isso que a mídia vende e é nisso que a gente acaba acreditando. E assim estará aberta a trilha para o enriquecimento dos que se dispõem a vender o impossível. Para isso vale tudo. Valem todas as tentativas para se enquadrar nesse modelo.
Então a saída é apelar para as mágicas! Sair atrás do remédio anti-obesidade da moda, do antidepressivo, de preferência algum “natural”.
Uma das conseqüências do medo da obesidade é o fato de as mulheres, principalmente, irem para a anorexia ou bulimia. Dizem que “o negócio é fechar a boca” e elas levam este mandamento de forma literal! Para elas, fechar a boca é não comer nada. Evidentemente acabam caindo numa doença e muitas delas acabam morrendo de fome na frente de um prato de comida. Ou então apelam para a bulimia, onde se usam laxantes e vomitivos para permanecerem magras.
A idéia que prevalece é de fazer regime o dia inteiro. Mas é muito interessante que o regime, em geral, dura até as cinco, seis horas da tarde, que por coincidência é a hora do crepúsculo, a hora do lusco-fusco, que não é nem dia nem noite. Parece que nessas horas os “fantasmas” saem.
É a hora que os fantasmas aparecem e o regime é completamente esquecido e se come tudo que se vê pela frente.
Este fenômeno já está acontecendo com os homens, eles também estão sendo cobrados em função do corpo que precisam exibir. Nos compulsivos existe um grande remorso. Eles comem e morrem de sentimento de culpa. Não é um prazer. A culpa aperta, e a pessoa fica muito angustiada; ela vai e come de novo. E o circulo se perpetua. Então, ela compra livros de auto-ajuda, compra o que a mídia quiser vender.
A saída é fazer um trabalho de médio a longo prazo com as crianças. Um trabalho a ser feito nas escolas. Da mesma forma que existem aulas de educação sexual, de educação religiosa, é necessário haver aulas de educação alimentar, como forma de ensinar cidadania, para que as crianças não caiam nesses contos e impeçam seus pais de caírem.
Se as crianças aprenderem a comer na escola elas chegarão em casa e vão dizer “mãe eu aprendi na escola que só se pode comer batata frita e refrigerante uma vez por semana, porque demais, não é bom para a saúde”. As escolas também têm responsabilidade. E o pior é que se olharmos as cantinas de algumas delas, na maioria só existe junk food. A escola precisa tomar conta da cantina, que ocupa um espaço geográfico lá dentro, um espaço dentro do contexto educacional. Vai-se, assim, educar as crianças, para que elas eduquem os pais.
O contrário disso, embora possa parecer mais lógico, até hoje se revelou um fracasso!
Por: Dr.Arthur Kaufman
Docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e coordenador da disciplina de graduação Psicologia Médica.
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