Como está a manipulação de suplementos e fitoterápicos no Brasil? Vai bem, obrigado!
Provavelmente os índios antes da chegada dos descobridores já faziam uso de plantas e ungüentos para curar doenças e feridas. Com a chegada dos jesuítas, apareceram as primeiras boticas em seus colégios. Nestas boticas, os jesuítas dispensavam drogas e medicamentos vindos do velho continente, bem como preparavam remédios com plantas medicinais nativas baseados nos conhecimentos dos velhos pajés.
Foi só depois da segunda guerra mundial, que as indústrias farmacêuticas vieram se estabelecer no Brasil. A partir dessa época, a manipulação de medicamentos foi perdendo terreno para as multinacionais. Foi na década de 70 que ocorreu o ressurgimento das farmácias de manipulação, devido a necessidade de se criar medicamentos individualizados, na dose certa, na forma farmacêutica mais apropriada.
De lá prá cá, houve um grande crescimento técnico científico dos farmacêuticos, o lançamento de grande quantidade de literatura e farmacopéias e uma regulamentação por parte da ANVISA que fez com que o setor ganhasse credibilidade perante a classe médica. Hoje, podemos dizer que o Brasil desenvolveu um modelo de farmácia magistral sem paralelo em todo o mundo, com um grau de qualidade e segurança próprios ao segmento, utilizando-se de técnicas e equipamentos modernos, desenvolvidos especialmente para a manipulação em pequena escala.
As farmácias de manipulação de hoje são totalmente informatizadas. Os programas de computador oferecem aos farmacêuticos informações sobre dosagens, incompatibilidades, interações medicamentosas, efeitos adversos, além de manter um histórico de todos os tratamentos do paciente. O farmacêutico com todas estas informações é capaz de gerenciar e orientar o tratamento do paciente oferecendo o que chamamos de “assistência farmacêutica”.
Na natureza cada organismo responde de uma forma diferente. O que é bom pra um, não é necessariamente bom para o outro. Somos seres únicos, somos indivíduos. A manipulação de fórmulas vem de encontro a este fato. Uma receita é manipulada para atender as necessidades de cada um. Podemos associar vários fármacos e suplementos diminuindo o número de cápsulas a serem ingeridas pelo paciente. Também podemos adequar as doses com o peso, altura, idade e sexo do paciente.
A manipulação de fórmulas também pode viabilizar um tratamento adequando a forma farmacêutica as necessidades do paciente. Para uso pediátrico, por exemplo, um medicamento que só existe na forma de comprimidos pode ser feito na forma de xarope ou até mesmo como pirulitos medicamentosos. A manipulação é capaz de desenvolver apresentações pouco usuais, adequada ao gosto das crianças como: balas, pastilhas, gomas, xaropes, pirulitos, etc. Outro exemplo seria o caso de um atleta que toma uma grande quantidade de suplementos. Ao invés de tomar várias cápsulas, de uma só vez toma todos seus ativos incorporados em um shake.
É sempre importante ressaltar que estas associações devem ser passadas pelo crivo do farmacêutico, que é o profissional do medicamento (fármaco), e que portanto tem o conhecimento a cerca destas associações e dosagens adequadas.
Formado pela faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo, trabalhou por 3 anos no laboratório de Fitoquímica, onde isolava e mapeava quimicamente várias plantas da flora brasileira com interesse medicinal.
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